dimanche 28 février 2016

Domingologia (18)

UM CÃO À CHUVA


Hoje é domingo e o bicho de areia
que devora a luz tem
brancas e opacas as pupilas
como o último dos dias as dessa
criança que lhe afaga a pele.

Chove sobre as feridas de setembro.
A morte não é de todo invisível
por entre os vivos.
Este mês traz surdos os cabelos
mas não esse cão que corre sem
raça nem nome a abrigar-se do temporal

e que veio à minha porta latir
com os olhos baços da cor da chuva.


António Amaral Tavares, Talvez seja essa certeza,
Medula, 2014




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