mercredi 21 octobre 2015

ALICE MUNRO

"[...] As pessoas abrem lojas para venderem coisas, esperam andar ocupadas e ter de ampliar a loja, depois venderem mais coisas e ficarem ricas, e eventualmente não terem sequer de ir à loja. Não é verdade? Mas não haverá também pessoas que abrem uma loja com a esperança de se abrigarem nela, entre as coisas que mais apreciam - os fios, as chávenas de chá ou os livros - e apenas com a ideia de se afirmarem confortavelmente? Tornar-se-ão parte do quarteirão, parte da rua, parte do mapa da cidade, e eventualmente das memórias de todos. Sentar-se-ão a beber café a meio da manhã, irão buscar as decorações tradicionais no Natal, lavarão as janelas na Primavera antes de exporem a sua mercadoria nova. As lojas, para estas pessoas, são o que uma cabana no boque representa para outras: um refúgio e uma justificação.
[...]"


- in "A Noiva Albanesa", Falsos Segredos,
trad. Inês Dias, Lisboa, Relógio D'Água, 2014

1 commentaire:

  1. Excelente este excerto.
    Fica a vontade de continuar a leitura no percurso do livro..

    Agradeço.

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