jeudi 30 mai 2013

ELOGIO DA USINA E DE SOFIA DE MELO BREINER ANDRESEN


O engenho banguê (o rôlo compressor,
mais o monjolo, a moela de galinha,
e muitas moelas e moendas de poetas)
vai unicamente numa direção: na ida.
Êle faz quando na ida, ou ao desfazer
em bagaço e caldo; êle faz o informe;
faz-desfaz na direção de moer a cana,
que aí deixa, e que de mel nos moldes
madura só, faz-se: no cristal que sabe,
o do mascavo, cego (de luz e corte).


2.
 
Sofia vai de ida e de volta (e a usina);
ela desfaz-faz e faz-refaz mais acima,
e usando apenas (sem turbinas, vácuos)
algarves de sol e mar por serpentinas.
Sofia faz-refaz, e subindo ao cristal,
em cristais (os dela, de luz marinha).
 
 
 
João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra,
Rio de Janeiro: Editôra do Autor, 1966
 

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