jeudi 28 mars 2013

António Barahona


EPÍLOGO


Acendo um círio terminado o ciclo
da rosa rotativa ao rés do rosto:
ilumino a expressão do que, profundo, 
intento, à luz rufa do crepúsculo:
apenas o diário dum recluso
em liberdade na prisão do mundo. 


1967-2013


- António Barahona, As Grandes Ondas,
com capa de Daniela Gomes,
Lisboa: Averno, 2013







NUUR

[...]

A pouca luz que tenho no rosto provém igualmente de um beijo teu.
Um beijo muito núbil, cheio de castidade e desejo, num perfeito equilíbrio de suavidade religiosa. 
Um beijo inspirado por Deus.
Agora, quando leio o Alcorão, de madrugada, a pequenina luz circular do meu rosto aumenta de diâmetro e ilumina o som do texto.
Já não preciso do candeeiro aceso.


António Barahona, Raspar o fundo da gaveta e enfunar uma gávea,
com capa de Luís Henriques,
Lisboa: Averno, 2011

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