vendredi 15 février 2013

CANÇÃO DO GUARDA-FLORESTAL

Demoraste
Que guardo para ti
As trepadeiras, vivas, os besouros
Estremunhados, as maçãs trincadas depois na palha
Volúvel. Apanho o que passa na luz fugindo
Da qual se desprende, por vezes, o ouriço - de madrugada,
Quando também ele, por engano
No teu vulto e nas névoas que baixam
Procura
Das faias saber quem nos leva para dentro

Deste silêncio
Que nas folhas se agita, guardado
- e mortal?

Demoraste... Demorei.



Gil de Carvalho, De Fevereiro a Fevereiro,
Lisboa: Centelha, 1987
 

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