mardi 29 janvier 2013

FRITZ


Primeira manhã:
demos-lhe banho,
nome de leite,
nosso lugar.

Corria depois,
secundava,
flecha feliz
no alvo de deus.

Um osso é um osso,
parecia dizer,
há que escondê-lo
de dias piores.

O curso da vida
que juntos fizemos
deixou-me na margem
mais desabrida.

Um dia morreu-nos
a juventude,
mudou-se o veloz
em terra batida.

Alma de gente,
que fazes agora,
que osso procuras
tão longe de casa?



José Miguel Silva, Ulisses já não mora aqui,
Lisboa: &etc, 2002

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