samedi 1 décembre 2012

PALAVRAS COM ÁGUA


A chuva gosta de escrever. Sobre o vidro das janelas, na carroçaria dos automóveis imprime as suas obras. E quando cai sobre um papel ouve-se o ruído de prazer com que o pisa. Sabe traçar uma fenda na superfície, como fazia a velha tipografia, depois arredonda-a. E, sobretudo, se houver algo de escrito, desbota-o até o apagar. O que a chuva escreve prevalece sobre qualquer tinta. E no dia seguinte, quando o papel tiver secado, ficam gravados os seus sinais, uma iconografia quase cuneiforme que é secreta e que é também para sempre. 


José Ángel Cilleruelo


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