vendredi 23 novembre 2012

Parabéns (I)

MOSAICO
 
 
 
Altos e baixos deformam o terreno.
Ervas daninhas apoderam-se das juntas.
Mas o tempo, surpreendente invenção
do mundo antigo, até no desperdício
procurou o equilíbrio: o pavimento
regenera-se, aproveitando a mesma pedra
da calçada original.

Continuam por aqui os destroços
do naufrágio. Todavia, estes nós são mais
complexos, cada vez querem mais corda.

Há um pássaro estendido sobre si,
voando para dentro do abismo.
Há uma janela aberta, pela qual a chuva
se recusa. Que outros elementos
vos parecem deslocados?
Estas são, afinal, as vossas vidas.
Direcções sobre as quais nada sabemos.

Vítor Nogueira, Mar Largo,
Lisboa: &etc, 2009

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