vendredi 30 novembre 2012


Sábado, dia 01 às 22h

VLADIMIR HOLAN

Leitura de poemas e algumas notas biográficas
por Rui Miguel Ribeiro


mercredi 28 novembre 2012

AMANHÃ:


Averno 051:

[...]

Os tempos estão muito enganados.
O país procurava as palavras . Sem saber
procurava um verso, soluçando uns
números, perdia-se, perdia a voz.
E então chegou o tempo dos poetas.



Diogo Vaz Pinto, "Lobos"
in Bastardo, Lisboa: Averno, 2012
 
[Já disponível no Paralelo W]


Averno 050:

 
 
Já disponível no Paralelo W.
 

lundi 26 novembre 2012

Novidade:

 
 
 António Barahona, Maçãs de Espelho,
Lisboa: Língua Morta, 2012

dimanche 25 novembre 2012

vendredi 23 novembre 2012

P de Parabéns (II)

NASCEMOS PARA O SONO


 
Nascemos para o sono,
nascemos para o sonho.
Não foi para viver que viemos sobre a terra.
Breve apenas seremos erva que reverdece:
verdes os corações e as pétalas estendidas.
Porque o corpo é uma flor muito fresca e mortal.


Herberto Helder
in Poesia Toda I, Lisboa: Plátano Editora, 1973

Parabéns (I)

MOSAICO
 
 
 
Altos e baixos deformam o terreno.
Ervas daninhas apoderam-se das juntas.
Mas o tempo, surpreendente invenção
do mundo antigo, até no desperdício
procurou o equilíbrio: o pavimento
regenera-se, aproveitando a mesma pedra
da calçada original.

Continuam por aqui os destroços
do naufrágio. Todavia, estes nós são mais
complexos, cada vez querem mais corda.

Há um pássaro estendido sobre si,
voando para dentro do abismo.
Há uma janela aberta, pela qual a chuva
se recusa. Que outros elementos
vos parecem deslocados?
Estas são, afinal, as vossas vidas.
Direcções sobre as quais nada sabemos.

Vítor Nogueira, Mar Largo,
Lisboa: &etc, 2009
Biblioteca dos Rapazes e 'assemblage' de Rui Pires Cabral
no Paralelo W



dimanche 18 novembre 2012

Manuel de Castro (17/11/1934 - 1971)

SEGUNDA AUSÊNCIA DE MADRID



aqui estamos, sonho, a caminho.
um punho plantado ou uma árvore a descoberto
com o sabor de um longo passado (o que é um passado?)
ruminando saliva pesada, olhando fixamente
as acrobacias mortais

um homem pode o seu coração

aqui estamos, sonho,
aqui estamos, boneca de papel,
cigarro, coração transcorrendo
igual a uma núvem
tenho por referência um válido herói
ou a pedra ligeiramente solta
na espessa parede

o homem pode o seu coração:
o que tem a verdade - a viva ou se assemelhe
a que tem a lua indique a ilha
ou seja o seu limite

jeudi 15 novembre 2012

LISBOA (3)

imaginaste um país imóvel devorado pelo sol
e o arrepio do canto espalhou-se pelas ruas
onde o tempo passa lento e branco em direcção
a outro tempo igual

ao fundo do restaurante o olhar preso em ti
da dama do charuto - café flor do mundo
encruzilhada onde se dorme frente à europa
apercebida como uma sombra que se afunda
nas veias dos arrumadores de carros

imaginaste que em ti permaneceria
esse barulho metálico de continentes abandonados
enfim
ontem foi o último dia
em que conseguiste calçar-te - essa guerra
que te deixou por sarar
um túnel de veludo ensanguentado na cabeça
 


 AL BERTO

mercredi 14 novembre 2012

Neste 14 de Novembro:


Os poetas dignos desse nome recusam-se a deixar-se explorar. A verdadeira poesia habita todo aquele que não se conforma com esta moral, a qual, para manter a sua ordem e o seu prestígio, só sabe construir bancos, quartéis, cárceres, igrejas e bordéis. A verdadeira poesia habita tudo aquilo que liberta o homem daquele bem terrível que tem a cara da morte. Está na obra de Sade, e de Picasso assim como na de Rimbaud, de Lautréamont ou de Freud. Está na invenção da rádio, na expedição do Celiuskin, na revolução de Astúrias, nas greves de França e da Bélgica.

Pode estar tanto na fria necessidade, a de conhecer ou comer melhor, como no sabor do maravilhoso. Há já mais de cem anos, os poetas desceram dos cimos onde julgavam encontrar-se. Vieram para a rua, insultaram os patrões, já não têm deuses, atrevem-se a beijar na boca a beleza e o amor, aprenderam as canções de revolta da multidão infeliz e, sem desfalecer, procuram ensinar-lhes os seus cantos.

Pouco lhes importam os sarcasmos e o riso. Já estão acostumados; mas agora têm a certeza de que falam por todos. Têm a sua própria consciência pelo seu lado.



Paul Éluard, "A Invenção Poética" (excerto)
in Franco Fortini, O Movimento Surrealista, trad. António Ramos Rosa,
Lisboa: Editorial Presença, 1980

lundi 12 novembre 2012



“Fidelidade”  
Assemblage de Manuel de Freitas  
sobre um poema de Jorge de Sena


Via: AINDA NÃO É TARDE

FIDELIDADE



Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.


Jorge de Sena
[Um dos poetas/poemas em exposição no Paralelo W]

dimanche 11 novembre 2012



Artistas Unidos/Livros Cotovia
Lisboa, Abril 2012



Artistas Unidos/Livros Cotovia
Lisboa, Maio 2009

vendredi 9 novembre 2012



A caixa de Pandora...
Luis Manuel Gaspar, perplexo, na montagem da exposição PEDACINHOS DE OSSOS.


jeudi 8 novembre 2012

Um cigarro
ninguém tem
um cigarro?
um copo de vinho
um amor perdido
uma causa iludida
uma angústia a mais?
alguém quer trocar de veias
de sangue
de coração
de pulmões?
um cigarro
ao menos
ninguém tem
um cigarro?
 
 
 
Carlos Alberto Machado, A Realidade Inclinada,
Lisboa: Averno, 2003

mercredi 7 novembre 2012

INAUGURAÇÃO

Inaugura também neste sábado, dia 10, às 18h,
a exposição PEDACINHOS DE OSSOS,
'assemblages' dos sócios/amigos do Paralelo W,
a partir de poemas:
 
 
 
 
Daniela Gomes
Inês Dias
Luís Henriques
Luis Manuel Gaspar
Manuel de Freitas
Miguel de Carvalho
Ricardo Álvaro
Rui Miguel Ribeiro
Rui Pires Cabral
Teresa Estêvão

LANÇAMENTO


O lançamento do CÃO CELESTE #2 
será dia 10 de Novembro (sábado),
às 18h, no Paralelo W.



mardi 6 novembre 2012

O amigo
quer publicar o fogo,
libertá-lo
da cinza acumulada
a que chamamos país.


 Pádua Fernandes, Cálcio,
Lisboa: Averno, 2012

Novidade

 
 
Averno 049

dimanche 4 novembre 2012



Jorge Fallorca
O Livro do Fim, 2012



Rui Diniz
Ossuário (Ou: A vida de James Whistler), & etc, 1977

jeudi 1 novembre 2012


[...]

No Natal, uma amiga mandou-me um cartão de boas festas da Unicef com um Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Tenho-o em exposição no meu quarto e, quando quero rezar, olho para ele. Mas não sou contemporânea de Fra Angelico. Não posso tomar café e tagarelar com ele nos cafés como posso fazer com a amiga que me enviou o anjo dele pelo Correio. Por isso o Anjo da Anunciação de Fra Angelico, que é tão bonito, pode também ser doloroso. Fra Angelico já morreu. E não é a beleza do anjo de Fra Angelico que me garante que Fra Angelico ressuscitará.
Um poema de Rimbaud está cheio de violência. Há muita beleza na expressão dessa violência. E isto é terrível. Preferia que Rimbaud não estivesse ferido a ponto de escrever daquela maneira? Preferia. Mas não posso dizer isto assim.
A arte é feita para construir a paz. Não é um esgrimir no vazio. Não pode ser. Olho para o Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Parece-me belíssimo. É vermelho e dourado. É verde e azul. Mas, ao escrever assim, parece-me que estou a evocar o poema de Rimbaud intitulado «Voyelles». A arte é um modo de lidar com a ausência. E por isso é tão preciosa e tão perigosa. Nunca é a alegria da presença.



Adília Lopes, Le Vitrail La Nuit/A Árvore Cortada, 
Lisboa: &etc, 2006