mercredi 20 juin 2012

A MÃO AO ASSINAR ESTE PAPEL

A mão ao assinar este papel arrasou uma cidade;
cinco dedos soberanos lançaram a sua taxa sobre a respiração;
duplicaram o globo dos mortos e reduziram a metade um país;
estes cinco reis levaram a morte a um rei.

A mão soberana chega até um ombro descaído
e as articulações dos dedos ficaram imobilizadas pelo gesso;
uma pena de ganso serviu para pôr fim à morte
que pôs fim às palavras.

A mão ao assinar o tratado fez nascer a febre,
e cresceu a fome, e todas as pragas vieram;
maior se torna a mão que estende o seu domínio
sobre o homem por ter escrito um nome.

Os cinco reis contam os mortos mas não acalmam
a ferida que está cicatrizada, nem acariciam a fronte;
há mãos que governam a piedade como outras o céu;
mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar.


Dylan Thomas, A mão ao assinar este papel,
trad. Fernando Guimarães, Lisboa: Assírio & Alvim, 1990

2 commentaires:

  1. [com a vossa licença...]

    A MÃO ASSINOU O PAPEL

    A mão assinou o papel e abateu uma cidade;
    Cinco dedos soberanos colectaram a respiração,
    Dobraram o globo de mortos e desertaram meio país;
    Estes cinco reis fizeram morrer um rei.

    A mão poderosa leva a um ombro curvado,
    Os nós dos dedos crispam-se com cal;
    Uma pena de ganso pôs fim ao assassínio
    Que pôs fim às falas.

    A mão assinou o tratado e gerou uma febre,
    E cresceu a fome e vieram os gafanhotos;
    Grande é a mão que tem domínio sobre
    Os homens por um nome garatujado.

    Os cinco reis contam os mortos sem suavizar
    A crosta da ferida, sem acariciar o rosto;
    Mão que governa a mágoa qual a mão que governa o céu;
    As mãos não têm lágrimas para chorar.

    (tradução de Joaquim Manuel Magalhães, in Dylan Thomas - consequência da literatura e do real na sua poesia, Assírio & Alvim, 1981 - Cadernos Peninsulares / ensaio)

    A MÃO QUE ASSINOU O PAPEL...

    A mão que assinou o papel destruiu uma cidade;
    cinco soberanos dedos tributaram a respiração,
    de mortos duplicaram o mundo, a meio cortaram um país:
    estes cinco reis provocaram a morte de um rei.

    A poderosa mão conduz a um ombro descaído;
    sofrem de cãibras as junturas dos dedos engessados.
    Uma pena de pato pôs fim ao morticínio
    que tinha posto fim às negociações.

    A mão que assinou o tratado engendrou febre,
    e aumentou a fome, e vieram gafanhotos:
    grande é a mão que sobre todos impera
    com o gatafunho de um nome.

    Os cinco reis contam os mortos, mas não acalmam
    a crosta das f'ridas nem a fronte afagam.
    Há mãos que regem a piedade, outras o céu:
    só não as há que vertam lágrimas.

    (tradução de David Mourão-Ferreira, in Vozes da Poesia Europeia - III / Colóquio Letras número 165 - Setembro-Dezembro 2003)

    A MÃO QUE ASSINOU O PAPEL...

    A mão que assinou o papel derrubou uma cidade;
    Cinco dedos soberanos decidiram a sorte,
    Duplicaram os mortos, dividindo um país;
    Foram cinco reis a dar a um rei a morte.

    A mão poderosa levou a um ombro caído
    Quando as falanges dos dedos se crisparam;
    Um bico de pato pôs fim ao crime
    Que pôs fim àqueles que falaram.

    A mão que assinou o tratado trouxe febre,
    Fez crescer a fome, vieram gafanhotos;
    Grande é a mão que determina
    Com um garatujar, o número de mortos.

    Os cinco reis contam os mortos mas não saram
    Chagas que já endureceram; nem podem afagar.
    A mão governa a dor como outra mão o céu;
    Nas mãos não há lágrimas que chorar.

    (tradução de Victor Palla in Poemas do Inglês, Ler editora, 1985)

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  2. Teresa Estêvão23 juin 2012 à 07:10

    DO NOT GO GENTLE INTO THAT GOOD... sunday afternoon

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