mardi 11 novembre 2014

Leituras paralelas (24)


[...]

A música, claro, se tivéssemos
música, qualquer coisa assim.
Em vez disso, os órgãos acomodam-se
ao suplício dos minutos, desagregam-se.
E bastarias tu – ninguém, porque
ninguém basta. É um erro – mas gostamos
tanto – pensar que um rosto nos salvará
disto que não sabemos ser, de nós.
Esse pronome pessoal, o inferno.

[...]


Manuel de Freitas, [Sic],
Lisboa: Assírio & Alvim, 2002




dimanche 2 novembre 2014

Domingologia (14)


TRINITY SUNDAY


Inadvertido, reconheces
o fio que te prende
a este ponto do tempo
e da paisagem.

Na torre de St Mary's,
em Warwick,
de onde se avistam
seis condados.

E assim chegas completo
à tua canção, forasteiro.

Sem nome, sem história.


Rui Pires Cabral, Longe da Aldeia,
com capa de Daniela Gomes e arranjo gráfico de Olímpio Ferreira,
Lisboa: Averno, 2005




[Fotografia: ID, 'God is in the details', Londres 014]